quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CUNHAS, AÉCIOS E TEMERS: A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA VOS ESPERAM

Cunha, com mandato a ser cassado em 12 de setembro, deu o governo a Temer. O que quer e o que terá em troca, o tempo dirá. Ou não


                Em primeiro de abril de 1964, a auréola do poder que se prometia eterno ornava as cabeças dos civis e militares que derrubaram o presidente João Goulart. Magalhães Pinto, Carlos Lacerda e a maioria das empresas de mídia se uniram aos militares para interromper, por duas décadas, as reformas de base que o então Brasil entre agrário e industrial exigia.  Atrasaram o país em pelo menos 50 anos. Dez anos antes, haviam tentado o mesmo levando ao suicídio o presidente Getúlio Vargas, a um ano e quatro meses do fim de seu mandato conquistado nas urnas.
            O golpe parlamentar, perpetrado hoje em Brasília, não é pois novidade e muito menos original. “Ódio velho não cansa”, ensina o sempre saudoso Adão Pereira Nunes. Mesmo que Vargas, Goulart e Dilma tenham cometidos seus pecados, o que justifica a interrupção de seus mandatos não são esses pecados, e sim a absoluta incapacidade das elites brasileiras de se contentar com muito que lhe dão. Elas querem tudo.
            Vargas foi chamado de “pai dos pobres e mãe dos ricos”, Jango talvez tenha sido o que menos tenha agradado aos poderosos;  e Dilma, como Lula, encheu até não mais poder as burras dos banqueiros e congêneres. Então, por que as elites — termo para o qual torcem o nariz os genuínos integrantes e os aspirantes a elas — teriam conspirado contra um governo legítimo para instalar um bando de sanguessugas nos gabinetes do Planalto? Porque justamente mais o tudo não lhes bastam. Querem impedir qualquer possibilidade histórica de ascensão das classes estacionadas abaixo delas.
          Financeira e ideologicamente falando, o Brasil entra hoje numa pauta político-econômica mais retrógrada do que tínhamos há 40, 50 anos, sem falar nos direitos sociais ameaçados de sumir pelo ralo e uma agenda conservadora-religiosa de provocar engulhos. As manchetes dos jornais desde o final de semana já adiantavam os programas “modernizantes” que privatizam hospitais, escolas e creches. Querem o que dá lucro e as despesas sociais que vão para iniciativa privada para que cobrem o quanto quiserem e, assim  alijar qualquer possibilidade de ascensão social das camadas mais pobres. Bye-bye classe média.
              Quem viver verá o retrocesso. Mas como a história é caprichosa e cíclica, verá também que ela reserva para a sua fétida lata de lixo, personagens como Cunhas, Aécios e Temers que,  por má-fé política ou pura ambição financeira, participaram do ardil que culminou com o impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff. Mas não estarão sozinhos, porque dividirão a lata de lixo da história com gente como Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Costa e Silva, cuja mão assinou o Ato Institucional nº 5, e toda a sórdida gente que há cinco séculos teima em impedir a emancipação do povo brasileiro.
                  Bom apetite para vocês e paciência para nós.


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